sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Quanto mais gente melhor


      Neste último fim de semana tive um almoço com outros bolsistas Fulbright que realizam seus estudos aqui em Los Angeles. Era possível que o que mais chamasse a atenção fosse a impressionante vista da cidade de Los Angeles que a casa oferecia, ou o fato de que quem organizava o almoço era a mãe de um renomado jogador de basquete da NBA. Mas não. O que fica na memória são as experiências trocadas com pessoas que pareciam ser amigos de infância, embora as conhecesse há poucas horas.   
O evento me fez lembrar da cidade de Boulder, no Colorado – minha primeira parada nos EUA – onde mais de quarenta Fulbrighters de todo o mundo reuniram-se para uma semana de palestras e orientações.   
É sempre muito fácil apontar as diferenças entre os povos, mas em Boulder o que me chamou a atenção foram as semelhanças. Mundos tão distantes e pessoas tão parecidas. Quem diria que minha primeira cerveja na terra do Tio Sam seria ao lado de uma paquistanesa? Que meu primeiro sushi seria ao lado de uma dominicana e de um rapaz de Bangladesh (que comia sushi pela primeira vez)? Que minha primeira trilha pelas montanhas seria filosofando ao lado de uma bósnia?
         Isso não se limita, é claro, aos eventos organizados pela Fulbright. A cada dia, a cada lugar, uma pessoa nova me surpreende, e mesmo que parta poucos dias ou horas depois, vai deixar uma marca para sempre.
         Em meus primeiros dias em Los Angeles, por uma série de imprevistos, acabei tendo de ficar quarto dias em um albergue. Foi assim que conheci um alemão que largou o emprego – exatamente no mesmo dia que eu – e decidiu vir para os EUA… para ter aulas de street dance. É sempre fascinante encontrar pessoas que estão a caminho de seus sonhos… Entre churrascos no albergue, passeios pela calçada da fama e trilhas no Griffith Park, fomos nos tornando amigos e percebendo que embora vivêssemos a um oceano de distância, tínhamos muito em comum.
         Passados os quarto dias, mudei para a casa de minha colega e ele seguiu seu rumo pelos EUA, dizendo que voltaria para LA antes de partir de vez. Uma semana depois, reencontrei-o no albergue para uma última cerveja. Como não podia deixar de ser, acabei conhecendo novas pessoas. Dessa vez, duas inglesas apaixonadas por cinema que ficaram de visitar o AFI na manhã seguinte. A visita estendeu-se para um jantar com ainda mais viajantes do albergue, até que, enfim, disse adeus a esses breves amigos.
Engenheiros, biólogos, artistas, físicos, filósofos, estudiosos de histórias em quadrinhos; homens e mulheres da Rússia, Turquia, Nova Zelândia, Palestina, Egito, Namíbia, Moçambique, Guatemala, Inglaterra, Alemanha… As nacionalidades e as ocupações das pessoas que conheci nesses quatro meses são tão distintas quanto as experiências que tive com cada uma delas. Seja lá como for, estar longe de casa faz o mundo parecer tão pequeno quanto o mapa-múndi de papel da parede do meu quarto.