domingo, 31 de maio de 2015

O homem que não estava lá

Outro dia alguns amigos me convidaram para visitar o Leo. Na verdade, fomos passar um fim de semana com ele e seus irmãos. Sua casa precisava de alguns reparos e decidimos dar uma força.
Não conhecia o Leo até então e conversamos pela primeira vez na hora do almoço. Descobri que se mudara para aquela casa havia poucos meses; seu filho de quatro anos morava com a mãe; seu pai havia falecido alguns anos antes; sua mãe morava no interior e viria visitá-lo em duas semanas.
Passamos uma tarde agradável, demos risada lixando e pintando paredes. Leo poderia ser um amigo como tantos outros que fui conquistando pela vida, mas Leo não é exatamente como os outros.

Leo tem 16 anos. Teve seu filho aos 12, no mesmo ano em que perdeu seu pai e que começou a usar drogas. Apesar de morar com a mãe, passava a maior parte do tempo na rua, onde roubava para sustentar o vício. Foi preso cinco vezes, mas nunca passou mais de dois dias na cadeia. Seu irmão está preso. Seus tios e primos, à exceção de um, estão todos envolvidos com drogas.

Apesar disso, Leo estava ali, sentado ao meu lado, dividindo nuggets de frango e suco de maracujá.

Leo está naquela casa, assim como seus “irmãos”, para um programa de nove meses de recuperação de dependentes químicos. Conseguiu quebrar o ciclo asfixiante em que vivia e agora dá um passo em direção a esse desconhecido mundo onde viver com dignidade parece possível.
A primeira coisa que pensei foi: “Nossa, como esse universo é distante do meu.” Mas logo percebi o quanto estava errado.
Leo, de fato, não é um garoto que faz parte do meu círculo social. Não sai comigo para jantar, não vai comigo ao cinema, não está nos meus churrascos com amigos. Leo é o garoto que pede dinheiro quando eu estaciono o carro, quando eu paro no farol; é o garoto que me faz atravessar a rua se vem em minha direção às 2h da manhã.
É o garoto que a gente vê sendo preso na TV e pensa: ”bem feito”.

Mês passado, quando fui assaltado, desejei que os dois rapazes sobre a moto fossem encontrados, que fossem presos, que aprendessem uma lição. E confesso que naquele instante não teria me incomodado se sua moto tivesse sido atingida por um caminhão.
Mas depois que passei dois dias com Leo e seus irmãos, pensei melhor. Pensei em quantas pessoas já não desejaram mal àquele garoto que pintava de azul o rodapé de sua casa; em quantas pessoas não desejaram que ele apanhasse na cadeia pra aprender a não roubar o iPhone dos outros. E desejei que não tivesse sido assim.

Recentemente ouvi sobre um projeto em Richmond, na Califórnia, em que os principais criminosos da cidade recebem um tratamento especial – que inclui acompanhamento individual, ajuda psicológica e financeira – desde que se comprometam a não cometer mais crimes.
Apesar do sucesso, o projeto é compreensivelmente controverso. “E aqueles que também vêm de uma realidade difícil, mas não estão cometendo crimes. Por que não estão recebendo toda essa ajuda?” – reclamam alguns.
Um dos funcionários do projeto – que foi recuperado pelo mesmo projeto anos antes – responde de forma bastante pragmática:
“Eu entendo perfeitamente. Eu já fui preso. A sociedade achava que eu não merecia nada, e eu consegui tirar um diploma. As pessoas têm problemas com isso. Mas no final das contas, eu vou voltar pra casa. E quem você quer morando do seu lado? Um cara que passou anos jogando dominó e puxando ferro, ou um cara que conseguiu se recuperar e fazer uma faculdade?”

Seria ingenuidade minha querer encerrar um assunto tão complexo nestas poucas linhas, mas o fato é que Leo e seus irmãos fizeram péssimas escolhas. Talvez seus vizinhos tenham saído da mesma realidade e conseguido terminar o Ensino Médio, conseguido um emprego e conquistado uma vida minimamente digna sem roubar um celular. Mas Leo e seus irmãos, não.
Ainda assim, eles existem.
Eles, como tantos outros, estão aí, gente como a gente, vivendo suas vidas o melhor que conseguem, às vezes cruzando nosso caminho, para o bem ou para o mal. E querer jogá-los no lixo não vai resolver os nossos problemas. Muito menos os deles.

Outro dia, no supermercado, um morador de rua, certamente sob o efeito de drogas, se aproximou de mim com um caderno, uma caixa de lápis-de-cor e um estojo de canetas. Pediu, educadamente, para que eu os comprasse. No caixa, ele não queria tocar o caderno com as mãos, pois estavam sujas. Perguntou ao atendente quanto custava a sacolinha plástica.
— Não custa nada — respondeu com um sorriso, enquanto lhe ajudava a colocar o material na sacola.
O rapaz voltou-se para mim:
— Se eu fosse dono desse supermercado, eu passaria em todas as filiais dando parabéns pros funcionários. Eles são de ouro. Sempre me tratam bem.

Naquele fim de semana na casa de Leo, fizemos coisas simples: pintamos algumas paredes, dividimos refeições, trocamos experiências. Mas o que pesou foi aquilo que não fizemos: não os tratamos com indiferença, não os discriminamos por suas escolhas, não decidimos que eles não merecem algo melhor. Não quisemos que eles não existissem.

Parece pouco, parece fácil. Mas não é, e não é.






quinta-feira, 30 de abril de 2015

Sorte ou revés?

Uma das coisas que torna minha rotina em São Paulo suportável é o fato de eu morar a 600 metros do trabalho, que se traduzem em oito minutos de caminhada por trecho: oito minutos para ir, oito minutos para voltar, fora o almoço.
Apesar da pouca distância, há algumas diferentes opções de caminhos que posso escolher. Em um deles há uma casa com dois cachorros: um Golden Retriever e um outro, cuja raça desconhecia até recentemente. Tendo vivido com um Golden Retriever por um bom tempo e me aficionado pela raça, sempre que passava por ali detia-me por alguns instantes para acariciá-lo. Seu companheiro latia, talvez enciumado, talvez enfurecido. Como não conhecia a raça — que se assemelhava a um Pit Bull — optava por ignorá-lo, evitando, assim, que meu braço fosse arrancado.

Até que na sexta-feira passada, durante meus oito minutos de caminhada em direção ao trabalho, encontrei uma mulher caminhando com aquele que parecia ser o temido companheiro do meu amigo Golden Retriever.
— Bom dia! Desculpe incomodá-la, mas é você que mora na casa ali da esquina, onde tem também um Golden Retriever?
— Não, não.
Um pouco surpreso e desapontado, decidi que ela, ainda sim, poderia esclarecer a dúvida que me afligia diariamente.
— Ah... É que tem um cachorro igualzinho ali naquela casa e eu nunca sei se ele é bravo ou não. Que raça é?
— É um Bull Terrier. Ele não é bravo, não. Depende do dono, claro, mas em geral ele é manso — respondeu sorrindo, enquanto seu Bull Terrier procurava o local ideal na grama para deixar sua marca.
Agradeci, satisfeito com a resposta, já ansiando pelos oito minutos da tarde, quando poderia, enfim, dar a devida atenção ao amigo do meu amigo.

Saí do trabalho às cinco da tarde com um fone no ouvido e fui direto em direção àquela casa. Os dois cachorros logo se espicharam ao me verem. Aproximei-me do portão para cumprimentá-los e logo ouvi alguém me chamando na rua. Tirei o fone de ouvido para ouvir o que os rapazes da moto diziam.

Foi então que notei a arma apontada pra mim.

Não foi preciso muito para entender que pediam a carteira e o celular.
Entreguei a carteira, da qual tiraram apenas o dinheiro, e em seguida o celular, que sobrevivera três anos e meio sem sequer um arranhão. Jogaram a carteira com os documentos e os cartões no chão e desapareceram, tão subitamente quanto haviam surgido.
Olhei para os cachorros, que me olhavam de volta sem entender o que acontecia, e finalmente acariciei o Bull Terrier que tanto temia — e que agora rolava no chão alegremente.
Guardei os fones de ouvido no bolso e continuei a caminhada de volta para casa, pensando em qual seria minha nova senha de e-mail e no meu recém-adquirido laptop, que permanecia intocado na mochila que carregava nas costas.




terça-feira, 31 de março de 2015

Qual é seu nome?

Tudo começou quando entrei na garagem do prédio. O edifício era novo, assim como seus moradores, e por isso era sempre recebido por um dos seguranças, que olhava para o cartão no meu retrovisor, com o número do apartamento, e perguntava:
— Qual é seu nome?
Eu respondia, ele checava uma planilha em uma prancheta, abria o portão com um “bom descanso” e eu entrava com um “obrigado”.
Até que um dia assisti a uma palestra sobre a dignidade, que a definia como “o valor por meio do qual reconhecemos e exercemos de maneira habitual o respeito pelas pessoas como seres únicos, com inteligência, vontade, liberdade e capacidade para amar.”.
Reconhecer como seres únicos.
Como seres únicos.
Como um outro eu.

Naquela noite, cheguei ao prédio como de costume e abaixei o vidro, enquanto o segurança apanhava sua prancheta com a expressão austera de sempre.
— Qual é o seu nome?  — perguntou, automaticamente.
— Filipe — respondi. — E o seu?
Ele parou, espantado. 
Aquilo não estava no protocolo.
— Oi?
— Qual é seu nome? — insisti.
— O meu?
— Sim.
— Geraldo.
— Boa noite, Geraldo! — disse sorrindo enquanto o portão se abria.
Na noite seguinte, assim que me viu embicando na garagem, Geraldo abriu o portão, esboçou um sorriso inédito e me cumprimentou, sem tocar na prancheta:
— Boa noite, Seu Filipe, tudo bom?

Meu prédio tem 384 apartamentos. Naquele momento me perguntei quantos sabiam o nome de Geraldo. Ou de Hilda. Ou de Andrade. Ou de Júnior. Ou de tantos outros que nos cumprimentam diariamente. Quantos os reconheciam como seres únicos?
Propus-me a “exercer aquilo de maneira habitual” e, pouco depois, descobri que um dos seguranças é meu xará, e que tem um irmão de três anos, e que esqueceu o jantar na quinta passada, e que adora coxinha.

Outro dia no supermercado, passando pela quinta ou décima vez pelo mesmo atendente, notei que a tela do computador dizia “Shirley”.
— Você não tem cara de Shirley — brinquei.
— É que hoje eu vim disfarçado — ele respondeu, rindo.
— Qual é seu nome?
— Everson.
Pronto. Agora Everson começa a sorrir sempre que me vê no fim da fila, e vice-versa. Mês passado esteve de férias, foi visitar a mãe no Mato Grosso. Quando me reencontrou num domingo à tarde, confessou que achava que estaria de folga naquele dia, e recomendou que eu sempre cobrasse os pontos pela sacola reciclável.
“Qual é seu nome?” Quatro palavras, meros segundos de conversa, que tornam o dia do outro (e certamente o meu) consideravelmente mais agradável. Uma conversa em que nos reconhecemos como mais do que cliente/atendente/ morador/funcionário, mas como seres únicos, com inteligência, vontade, liberdade e capacidade para amar. E nome próprio.

No início do ano passado, conheci um grupo de pessoas em um projeto social, em Campinas. Meses depois, voltei à cidade para um evento e reencontrei um deles.
— E aí, João, tudo bom?
Ele me olhou com a inconfundível expressão de “de onde é que eu te conheço, mesmo?”. Refresquei sua memória, conversamos um pouco e logo o convidei para vir a São Paulo, com um amigo em comum, para um evento do mesmo projeto social. Ele veio. Depois veio de novo. E mais uma vez. E outras. E assim nos tornamos grandes amigos. Tempos depois, divagando sobre os primórdios da nossa amizade, perguntei por que ele havia decidido vir a São Paulo naquela primeira vez.
— Porque você me chamou pelo nome.




sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Campanha do desarmamento

São Paulo precisa urgentemente se desarmar. Não apenas São Paulo, mas todo o Brasil. Não só o Brasil, mas todo o planeta.
Dificilmente passo um dia sem encontrar alguém armado. Outro dia, ainda na garagem do prédio, uma motorista apressada assustou-se com meu carro vindo à sua esquerda. Buzinou, xingou, gritou. Não eram sete da manhã e já estava armada.
No supermercado, um senhor aguardava com a esposa na fila única para os caixas-rápido.
— Próximo! — gritou uma atendente.
Ficaram sem saber para qual caixa se dirigir.
— “PRÓXIMO!” — ela insistiu.
Identificaram a voz vinda do caixa dezenove. Ele logo sacou sua arma e atirou:
— Isso é jeito de chamar? Fala ‘caixa dezenove’. Não sou obrigado a saber qual caixa está livre!
 A moça se defendeu. Ele engatilhou novamente enquanto a esposa guardava o Danoninho:
— Ah, você é a dona do supermercado agora? Era só o que me faltava: discutir com paraíba!
Terminou de guardar as compras e partiu, levando consigo a sacola reciclável e a metralhadora.
No banco, uma senhora de sessenta anos e meio aguardava impaciente na fila do caixa com uma senha preferencial. Ao seu lado, um motoboy, igualmente impaciente, aguardava com uma senha comum: a próxima. Quatro senhas preferenciais foram chamadas. O motoboy bufava a cada uma delas. Enfim, chamaram a sua. Ele rapidamente dirigiu-se ao caixa, mas a senhora interveio com a senha em mãos:
— Ei, mocinha! Eu sou a próxima! Eu sou preferencial!
— ...E eu ‘tô na fila há horas! Já passaram dez velhinhos na frente! — reagiu o rapaz.
Apontaram-se as armas, prontos para disparar.
— Senhora, aguarde um instante e nós já vamos chamá-la.
Ela voltou ao seu lugar, atirando para o alto.
— Absurdo isso! Ter que ficar esperando... Falta de respeito!
O motoboy pagou sua conta em dois minutos e partiu, não sem antes fuzilar a senhora com o olhar.
Também já saí armado muitas vezes, admito, mas muito mudou quando resolvi me desarmar.
Era setembro. As aulas do mestrado mal haviam começado e nossa equipe, que produziria um curta-metragem em algumas semanas, já estava em guerra: produtora e diretor mal se falavam, editora e fotógrafo haviam se distanciado, e balas perdidas sobravam pra mim. Nas minhas reuniões com o diretor – um venezuelano de opiniões fortes – nossos objetivos eram idênticos: discordar do outro, provar que o outro estava errado. O resultado eram noites mal dormidas e um filme que prometia não sair. Até que decidi deixar minhas armas em casa. Cheguei à reunião desarmado e decidi que iria, de fato, escutá-lo. Conversamos sobre o roteiro página a página, entendi suas frustrações, expus as minhas e, ali mesmo, nossa relação mudou. Viramos amigos. Jantamos em Beverly Hills, assistimos a uma revoada de sandpipers abandonar a praia de Santa Monica ao anoitecer e até hoje nos lembramos daquele dia tão marcante do qual não tiramos sequer uma foto.
As armas também são sacadas por insegurança. Numa tarde dessas típicas paulistanas, roubaram meu carro. Fui à delegacia fazer o B.O. e encontrei um policial armado até os dentes.
— Isso aqui vai demorar um tempão. Melhor voltar outra hora.
— Não tem problema, eu espero — respondi, paciente, já que resolver a questão do meu carro roubado me pareceu uma prioridade naquele momento.
Horas depois, contrariado, o policial sentou-se à máquina de escrever e começou a colher meus dados. Cada pergunta, um tiro. Até que comecei a reparar que digitava com extrema dificuldade. Não tardou para acabarem suas balas.
— Desculpa, é que o escrivão não veio hoje e eu não sei mexer aqui muito bem, tá? — confessou enquanto procurava a letra F.
Saí de lá minutos depois com o B.O. em mãos e os sinceros pedidos de desculpas pela demora do policial, que agora trazia um sorriso no rosto. Um sorriso, aliás, que se provou o melhor colete à prova de balas.



sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Os outros

Suzana aguardava ao lado da amiga na sala de espera enquanto não chamavam seu nome. Com uma revista de moda na mão, desviava o olhar para a outra candidata sentada à sua frente, que lia uma revista de automóveis. Cutucou sua amiga para indicar a meia-calça discretamente desfiada da concorrente. Contiveram o riso, cúmplices.
Uma porta se abriu, e a secretária anunciou: “Andréa?”. A moça da meia-calça deixou a revista, ajeitou a saia, respirou fundo e entrou.
- Podia olhar no espelho antes de sair de casa, né? – alfinetou Suzana.
- Tadinha, às vezes ela não viu, ou não dava mais tempo de trocar – defendeu a amiga.
- Ah, sabe quem conseguiu um emprego? A Jussara.
- Sério? Que ótimo!
- Né? Vou te falar, viu, sofreu tanto depois que o marido foi embora...
- Ouvi dizer que ele largou aquela lá e já ‘tá com outra, acredita? Já foi pra terceira.
- Mentira.
- Juro! Oito anos de casamento pra isso...
- Merecia um emprego, tadinha.
- O Rogério até tinha indicado ela pro RH, mas acharam que não era o perfil. Aliás, te falei que ele conseguiu a vaga?
- Não! Como assim? E você não me conta?
- Ah, finalmente! Mais de um ano que prometeram essa vaga pra ele e nada! Lembra que eu falei que ele ‘tava superestressado, trabalhando de fim de semana, o dia inteiro no computador?
- Lembro, claro.
- Então, parece que o chefe dele ‘tava querendo dar uma cortada, sabe?
- O viado?
- Isso. Ficou com medo, né? Via que só o Rogério trabalhava enquanto ele só coçava, quis proteger o dele. Aí puxou tanto o saco do chefão que conseguiu ser transferido pra Alemanha.
- É sempre assim...
- O problema é que agora que o Rogério tem que fazer o trabalho que o viado não fazia, ‘tá mais estressado que nunca.
- Ah, mas é assim mesmo... Quando eu entrei no lugar da Patrícia foi a mesma coisa. Todo mundo sabia que ela só ‘tava ali porque dava pro Marco. Aí quando perceberam que ela não dava conta, sobrou pra quem consertar a cagada? Eu, né?
Suzana desviou o olhar para a revista. Surpreendeu-se com uma foto.
- Nossa! Não é a Roberta? – disse mostrando a página para a amiga.
- É, sim. Como ela ‘tá bonita!
- Com Photoshop até eu, né?
A amiga riu. Suzana continuou.
- Mas quem diria, né? Depois de tudo que ela passou, ‘tava mais que na hora das coisas darem certo.
- Como assim?
- Não soube? Sofreu um puta acidente de carro. Morreram os dois irmãos. Ela ficou cheia de cicatriz, é que na foto não se vê.
- Nossa, não se vê mesmo.
- Lembra daquele namorado dela? Todo bonitão, parecia modelo?
- Não foi ele que ficou milionário?
- Era isso que eu ia falar! Você viu? Abriu um negócio de importação de vinho, agora ‘tá nadando em dinheiro.
- É muito injusto, né? Tem gente que consegue as coisas tão fácil, e os outros...
- Bom, mas ele, mesmo milionário, não conseguiu segurar a Roberta... – disse Suzana, com um contentamento mal disfarçado.
A porta se abriu novamente. Andrea saiu com um sorriso confiante. Suzana foi tomada por uma súbita ansiedade quando a secretária chamou seu nome.
- Fica tranquila, Su. Vai dar tudo certo. Você merece!