segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Do outro lado da lua

Em abril de 2007, em minha primeira aula do curso de extensão em roteiro da UCLA, Scott Kraft sugeriu que elaborássemos duas perguntas no formato “E se...?” A ideia era que uma delas viesse a ser a base da história que desenvolveríamos durante os próximos semestres.

Para algumas pessoas as ideias vêm aos montes. Para essas, falta apenas tempo para sentar e desenvolver tantas e tantas possíveis histórias que sem dúvida se tornariam grandes sucessos de bilheteria. Se há tempo, então recai sobre elas a árdua tarefa de decidir qual história desenvolver primeiro.

Eu não sou uma dessas pessoas.

Ideias geniais me vêm a cada ano bissexto. No resto dos dias, preciso lapidar histórias de blocos de mármore; enfrentar diariamente – e sozinho – a intimidadora página em branco.

Com seu processo – que, é claro, vai além das duas simples perguntas – Scott Kraft tornou a página em branco menos assustadora e, em algumas semanas, comecei a escrever “Sixteen Light-Years Away”, um roteiro sobre um adolescente de Ushuaia, na Argentina, que perde o irmão mais novo e é forçado a viver com a avó numa pequena cidade praiana nos EUA, onde desenvolve uma inesperada amizade com a vizinha de dez anos que lhe ensina a ver o mundo com outros olhos.

Cerca de um ano depois, após muitas noites solitárias enfrentando a sempre imponente página em branco, a primeira versão do roteiro estava pronta. Resolvi adaptar a história para enviá-la a um concurso de desenvolvimento de roteiro aqui no Brasil. A pequena cidade nos EUA virou uma pequena cidade no nordeste; Johnny virou Francisco, Annie virou Valentina, e assim como os personagens, o roteiro também ganhou um novo nome em português: Do Outro Lado da Lua.

O concurso premiava 10 projetos entre cerca de 900 inscritos. “Do Outro Lado da Lua” foi o 12º.

Francisco voltou a ser Johnny, Valentina voltou a ser Annie e “Sixteen Light-Years Away” chegou às mãos de Barney Lichtenstein, o mentor da UCLA que faria as últimas considerações sobre o roteiro antes do término do curso. Barney não apenas foi incrível em seus comentários, mas também escreveu uma carta de recomendação que acabou sendo decisiva na minha seleção para a bolsa CAPES/Fulbright que receberia meses depois.

Sem saber do futuro que me aguardava, fui de férias a Ushuaia e pude ver com meus próprios olhos, pela primeira vez, aqueles lugares que já pareciam vívidos na descrição das páginas do meu roteiro.


As primeiras páginas do segundo tratamento de “Sixteen Light-Years Away” foram lidas por Dan Vining, um dos professores e membros da comissão de seleção do American Film Institute. Foi ele que, durante minha entrevista, disse ter ficado bastante intrigado com o roteiro e com vontade de continuar a lê-lo. Assim, “Sixteen Light-Years Away” me abriu as portas do AFI – e de um mundo de aprendizagem do qual eu faria parte nos dois anos seguintes.

“Sixteen Light-Years Away” ficou adormecido enquanto o AFI me forçava a lapidar mais e mais blocos de mármore. No dia de Ação de Graças – haveria um dia melhor? – conheci Barney Lichtenstein pessoalmente. Durante um agradável almoço no Mimi's Café que ele insistiu em pagar, agradeci por tudo que havia feito por mim e contei a ele toda a saga do roteiro que havia me levado até ali, com a promessa de mantê-lo informado sobre os futuros acontecimentos.

Foi então que “Sixteen Light-Years Away” caiu nas mãos do meu amigo e produtor André Gevaerd. André, quem eu havia conhecido na Austrália aos 16 anos e quem havia reencontrado poucos anos antes, abraçou o projeto e se disse decidido a filmá-lo na sua cidade natal, em Santa Catarina.

Novamente, Johnny virou Francisco, Annie virou Valentina, e agora a pequena cidade do nordeste virou a praia de Canto Grande, em Bombinhas. Personagens deixaram de existir, novas locações surgiram e “Do Outro Lado da Lua” ganhou mais uma versão.

No início deste mês, André, a essa altura tão envolvido no projeto quanto eu, me levou a Canto Grande para que eu conhecesse aquele lugarejo que ele insistia ser perfeito para o filmar o roteiro.

Ele tinha razão.




Quase cinco anos se passaram desde que a história de Johnny/Francisco e Annie/Valentina começou a surgir. O roteiro já foi lido por muitos, mentorado por vários, abraçado por alguns e me abriu portas que eu jamais pensei pudessem ser abertas. Enfim, cumpriu seu papel de roteiro.

Agora, pouco a pouco, “Do Outro Lado da Lua” deixa de ser uma empreitada individual e solitária e começa a ganhar o apoio de pessoas que acreditam no projeto e querem dar vida àquelas pessoas e lugares que só existem no papel.

Pouco a pouco, “Do Outro Lado da Lua” deixa de ser um roteiro e começa a ser um filme.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Histórias que poderiam ter sido

Certa tarde, há muitos anos, estava com meu amigo Bob na biblioteca da faculdade de veterinária procurando um livro sobre a reprodução dos avestruzes para uma amiga quando uma garota sentou-se na mesa ao lado. Três segundos depois, Bob estava apaixonado – sem sequer haver trocado olhares com ela. Após alguns minutos de discussão, Bob decidiu que seria prudente não informá-la sobre os filhos que teriam juntos, nem sobre o nome que dariam ao cachorro, nem sobre o tamanho de sua futura casa – ou de certas partes de seu corpo.

Minutos depois, a garota se foi - sem saber que destruíra um lar imaginário - e Bob, parafraseando Manuel Bandeira, suspirou: “Ah, histórias que poderiam ter sido...

E esse virou nosso jargão: quantas “histórias poderiam ter sido” se tivéssemos tomado uma decisão diferente, se tivéssemos agido, se tivéssemos virado à esquerda, se tivéssemos ido àquela viagem. Quantas histórias poderiam ter sido se decisões tomadas por quem sequer conhecemos tivessem sido diferentes.

Durante meu intercâmbio para Austrália no Ensino Médio, conheci uma garota suíça com quem conversava vez ou outra. Às vezes nos encontrávamos no ônibus, às vezes nos víamos no intervalo das aulas da extinta Beacon Hill Technology High School enquanto tomávamos o cremoso leite com chocolate de caixinha que só a escola oferecia. Sempre senti que havia algo ali, mas o auge dos meus dezesseis anos e de minha bananisse me impediram de tomar qualquer atitude. Um dia antes de voltar ao Brasil esbarrei com ela na escola e disse que estava de partida. Desapontada, ela anotou seu endereço em um pedaço de papel. “Agora é minha chance!”, pensei...

...Só pensei.

Nos abraçamos, nos despedimos, e nunca mais nos vimos. Nunca mais nos falamos.

Já no avião, notei o papelzinho ainda no bolso da calça... e nele havia algo mais que o endereço; algo que me fez acreditar que aquela história, de fato, poderia ter sido...

*  *  *

Meses antes de me mudar para os EUA para estudar no AFI, conheci meus futuros colegas pela internet, entre eles um americano chamado Andrew. Após nos certificarmos (na medida do possível) de que não éramos serial-killers e/ou fazíamos parte de uma seita macabra, decidimos que seríamos roommates. Durante os meses seguintes conversamos várias vezes por semana, descobrimos interesses em comum, planejamos viagens para o Alasca, decidimos que ficaríamos em um albergue assim que chegássemos e procuraríamos um apartamento perto da escola. Enfim, nos tornamos amigos.

Uma semana antes de sair do Brasil, recebi um longo e-mail de Andrew me dando a triste notícia que ele não poderia mais ir ao AFI.

Com meus planos escorrendo pelo ralo, tive de encontrar novos roommates às pressas e fui morar com dois completos desconhecidos – um deles dormindo na sala. Durante todo o primeiro (e mais difícil) mês em L.A., só pensava em como tudo seria mais fácil se tivesse saído como planejado. Como eu queria que aquela história tivesse sido...

Mas o que eu não sabia é que se aquela história tivesse sido, meses depois eu não teria feito uma inesquecível road trip de 5.000 quilômetros ao redor do Grand Canyon com meus inesperados amigos; não teria conhecido o Texas, nem a família de Logan, nem teria vivido com seu fiel escudeiro Lebowski.

Só fui conhecer Andrew pessoalmente um ano depois, de passagem por sua cidade por algumas horas. Durante um almoço corrido em uma tarde incrivelmente quente, contei apressadamente as histórias do AFI – histórias que, pra ele, poderiam ter sido. Em contrapartida, Andrew me contou sobre sua vida fora do AFI, que incluía, entre outras aventuras, uma fascinante viagem à Antártica – a história que, pra ele, foi.

Inevitavelmente, cada pessoa que conheço, cada nova amizade que se forma, me faz pensar nas histórias que poderiam ter sido. Como teria sido conhecer aquela pessoa anos antes? Ter ido à sua formatura? Àquela festa de aniversário? E como teria sido não conhecê-la? Não ter ido àquela viagem?

Inevitavelmente, cada pessoa que conheço, cada nova amizade que se forma, também me leva à assustadora conclusão de que há pessoas no mundo que eu jamais vou conhecer; de que há amizades que jamais vão se formar: são histórias que eu nem sequer sei que poderiam ter sido.

E é durante esse devaneio sobre as pessoas que não vou conhecer, os lugares que não vou visitar e as experiências que não vou ter que tudo surpreendentemente volta a fazer sentido: é quando me lembro de que sou escritor, e de que o escritor vive em Pasárgada. É quando me lembro de que a cela do meu mundo real tem uma janela para o infinito.

É quando me lembro de que, no meu mundo, todas as histórias podem ser.



(Bob casou-se hoje com a mulher de sua vida e está de mudança para os EUA. Vai viver a história que tinha de ser.)



terça-feira, 22 de novembro de 2011

The Young Storytellers

Quando o co-criador do seriado "Glee", Brad Falchuk, veio ao AFI e mencionou, quase sem querer, a fundação que havia criado – The Young Storytellers Foundation –, não imaginava que em breve me envolveria com um de seus projetos. E muito menos que ele se tornaria uma das coisas mas sensacionais de que já fiz parte.


O fundação foi criada em 2003 com o objetivo de “desenvolver a alfabetização através da arte de contar histórias.” Diversos programas são oferecidos, entre eles o que foca em alunos do 5º ano.

A ideia é bastante descomplicada: um head mentor, dez crianças e dez mentores (um para cada criança) que se encontram em oito reuniões semanais para escrever um pequeno de roteiro de 5 páginas, a ser encenado na nona semana no auditório da escola. Simples, não?

Agora adicione à formula a amizade e o companheirismo que surge entre os mentores; o maravilhamento das crianças a cada palavra que escrevem; e o prazer de ver atores de Hollywood improvisando despretensiosamente no auditório de uma escola pública. E eis que surge algo mágico.

Mal sabem as crianças que aprendemos tanto quanto elas. O ego fica na porta, assim como os palavrões, os pensamentos negativos, as palavras de desencorajamento. Cada um de nós assume uma nova identidade – Bowling Brian, Jovial Jon, Mystical Mary e assim por diante. Os atrasados dançam a “chicken dance” e ninguém se importa em parecer ridículo diante de vinte crianças – sim, vinte, porque ali todos viram criança – que se divertem às suas custas.

A cada semana – em meio a brincadeiras de integração e breves apresentações de conteúdo – um pedacinho da história era construído, sem qualquer censura. Príncipes que se unem a ratos para combater uma bruxa; super-herois que saem do mundo dos quadrinhos para salvar a humanidade; anoréxicas que se unem a vítimas de câncer e encontram a felicidade: tudo é válido, desde que não haja violência.

Mas sem dúvida o grande valor de tudo isso não é o resultado, e sim o processo. Ao expor suas ideias, cada criança expõe um pouco de si mesma, se abre para o mundo e, talvez pela primeira vez, sente que tem uma voz. Mais do que isso: sente que alguém quer ouvi-la.

“Hawaiian” Ailani, a menina por quem fui responsável no segundo semestre que participei do programa, era provavelmente a garota mais tímida do grupo. Raramente respondia às perguntas em meio aos colegas e jamais olhava alguém nos olhos. Ao decorrer daquelas semanas, enquanto criava sua história sobre o poder da amizade, Ailani começou a conversar mais, começou a falar mais de si; começou a sorrir.

"Flying" Filipe & "Hawaiian" Ailani no "Big Show"
Em nossa última sessão, nosso head mentor informou às crianças como seria o “Big Show” (como é chamada a apresentação final): contou que receberiam um crachá VIP, que entrariam em um tapete vermelho, que tiraríamos fotos, que atores de Hollywood se apresentariam individualmente para que cada uma delas escolhesse seu elenco, e que em seguida sua história seria apresentada para todo o 5º ano e seus convidados.

Foi então que Ailani me olhou nos olhos pela primeira vez e, sem conseguir conter a empolgação, perguntou:

- É verdade!?

- O quê?

- Que a gente entra num tapete vermelho e tiram foto da gente?


Era.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O grande Lebowski

Eu nunca gostei muito de cachorro. Minha mãe sempre teve um pouco de medo de cães e por isso sempre tivemos gato em casa. Sempre defendi os gatos: são independentes, tomam banho sozinhos e desde que tenham livre acesso à rua fazem suas necessidades sem qualquer auxílio.

Quando mudei de um apartamento nas proximidades de Hollywood para uma casa no subúrbio, Logan, meu roommate, sugeriu adotar um dos filhotes de sua Golden Retriever que daria cria em breve em sua cidade natal. Resolvi dar uma chance ao suposto melhor amigo do homem e algumas semanas depois fui apresentado a Lebowski, uma bola de pelos de apenas quarenta dias. Impossível não se apaixonar por aquele ser com patinhas quase do tamanho da cabeça que não conseguia descer escadas.


Já no primeiro mês com meu novo roommate canino, Logan foi viajar e tive que cuidar de Lebowski por um fim de semana. Foi naquele fim de semana que ele teve diarreia juntamente com uma crise de vômito. Às três da manhã. Como se retribuísse meus cuidados, algumas semanas depois, quando passei por uma cirurgia que me deixou de molho por algum tempo, Lebowski começou a correr para o meu quarto todas as manhãs, logo que acordava, para me dar bom dia.

No início deste ano, Lebowski foi castrado – como exige a lei em Los Angeles –, ficou com um hemotama gigante e precisou de cuidados especiais. Quando vi aquele bichinho indefeso cheio de curativos e com aquele protetor em volta do pescoço decidi que deixá-lo dormir na minha cama não seria assim o fim do mundo. Era minha vez de retribuir.



Os meses foram passando, Lebowski foi crescendo, aprendendo novos truques, destruindo todos os seus brinquedos e pulando freneticamente em cada pessoa nova que aparecia em casa para uma visita. À essa altura, Lebowski já era um grande amigo que tirava sonecas no chão fresquinho do meu banheiro nas posições mais bizarras; um amigo cujos pelos na minha colcha já não incomodavam mais. Um amigo que me fez achar os gatos um tanto quanto monótonos.

Na semana passada, após me despedir das centenas de amigos que fiz nos últimos dois anos, tive que dar o “até logo” mais difícil àquele companheiro que não sabia que aquela era a última vez que me via – pelo menos por um tempo.


Lebowski ainda corre para o meu quarto todas as manhãs. Mas eu já não estou mais lá.


domingo, 11 de setembro de 2011

Nine eleven

“Meu deus, já faz 10 anos!” foi a primeira coisa que me veio à cabeça quando me lembrei de que hoje é dia 11 de setembro. Com você também foi assim? Uma década! Loucura, não?

Depois me lembrei de uma garota que fazia boxe comigo e que fazia aniversário dia 11 de setembro. “Mancada, estragaram seu aniversário!” Tá certo, é uma p*** falta de sensibilidade pensar assim, mas... poxa, é seu aniversário. Todo ano! Não podiam ter esperado um dia a mais? Agora você vai sempre se sentir culpada por estar feliz no seu dia, fazer o quê!

Aí comecei a pensar que praticamente todo mundo se lembra do que estava fazendo quando ficou sabendo do atentado. Interessante pensar que existe um dia na linha do tempo em que gente do mundo todo se lembra do que estava fazendo. Não lembro o que fiz no dia 9, no dia 10, ou no dia 23, mas me lembro muito bem do dia 11. E assim como eu, todo mundo tem a sua história do 11 do setembro.

A minha começou na aula de biologia do 3º colegial. Em um mundo pré-smartphones, alguém recebeu uma ligação dizendo que “parece que um avião bateu num prédio nos EUA.” Algumas horas depois estava em casa, assistindo pela primeira vez àquelas imagens que veria 387 vezes mais no ainda inexistente YouTube. Era realmente como assistir a um filme de Hollywood. No dia seguinte, na escola, todos expressavam suas teorias, calcadas em nossos profundos 17 anos de experiência de vida, sem saber os efeitos que aquele evento realmente teria no mundo (e naquela viagem de American Airlines pra Disney.)

Passados meses, anos, muito ainda se ouvia sobre aquele que muitos ainda chamam de “o evento mais trágico do últimos tempos.” Aí, assim como eu, muitos começaram a ficar um pouco irritados. “Tem gente morrendo o tempo todo! Vocês, americanos, provavelmente estão matando muito mais gente em algum lugar do mundo por um pouquinho de petróleo ou algo assim. Algum povo africano está sendo dizimado e ninguém tá sabendo, ninguém tá vendo na TV, e ninguém vai lembrar o que fez naquele dia. Precisa falar do “nine eleven” o tempo todo?”

Até que em dezembro passado fui a Nova York pela primeira vez, e só então comecei a entender o peso daquele evento.

Ground Zero

O skyline de Manhattan é um dos cartões postais da cidade e, portanto, simplesmente olhar para aqueles prédios era uma atração turística... que agora não existe. No passeio de barco que fiz ao redor da ilha, o guia descrevia a cada curva onde estariam as torres, deprimindo todos a bordo. Um dia, saindo do metrô, ouvi alguém comentando: “Sem as torres, nunca sei direito pra que lado tenho que ir”.

Teria sido diferente se houvessem destruído uma escola térrea com 5.000 crianças inocentes. Seria terrível, sem dúvida, mas o turista passeando pelo Hudson River não se lembraria disso na sua rápida visita pela cidade; o executivo saindo do metrô não se lembraria disso ao procurar uma rua; o casal de namorados não se lembraria disso ao assistir qualquer um dos milhares de filmes que se passam em Nova York, e provavelmente não se depararia com imagens e vídeos do ataque na internet, vistos de 47 ângulos diferentes.

Era praticamente impossível não ver as torres gêmeas em Manhattan. Agora, é praticamente impossível não ver a sua ausência. É como se os americanos acordassem todas as manhãs e fossem atingidos pela mesma tragédia ao olhar pela janela. E nesse sentido, consigo entender como o 11 de setembro pode ser visto como o evento mais trágico dos últimos tempos.